Radical Livre - em movimento, filosoficamente!

Divagações discursivas do visual contemporaneo.

27

de
fevereiro

Estrofe da quimera Cervo-Cavalo

Essa é a história de um homem-quimera.

Mas não um homem nem quimera qualquer.

E sim do Cervo-Cavalo que aqui nascera

Ensinando ao homem, a sensatez do seu ser.

Escolhera ser Cervo pela sua natureza atenta

Até aflita, mas sempre certa e segura.

E o Cavalo, por sua gentileza nunca isenta,

Que persevera ante qualquer dureza ou agrura.

A sensatez é o amor condicionado, é o prazer bem medido, é a decidida decisão de conservar o prazer para desfrutá-lo um pouco a cada dia.

Um dia, você se definiu como sensato; e foi sua melhor definição. Foi a sua certeza incerta, sua total falta de direção, sem querer querendo, que despertou amizade, companheirismo, paixão.

Não só a mim, nem só aos teus amigos tão somente, mas a todos aqueles que a vida esbarra em você.

Foi sua generosidade eqüina e tua certeza de cervo que te tornaram tão indispensável para aqueles que te cercam.

São animais furtivos, mas de uma preciosidade que transborda o olhar; é assim que te vejo, meio cervo, meio cavalo, meio perfeito, meio defeito, mas de natureza constante, certa, “invacilante”.

É um privilégio ter te conhecido esse pouco muito, fugaz e intenso, pra agora ou depois, mas amigo pra sempre.

Feliz daquele que arrebata a quimera cervo-cavalo, pois seu coração de ouro vale mais do que qualquer tesouro. E feliz da quimera arrebatada, que dá seu homem-ser humano àquele rarocompassivo, sem remota duvida de engano.

27

de
fevereiro

Estrofe da quimera Galo-Coruja

Lembro-me bem do cantar ao amanhecer.

Que começara como um pio lamento noturno

Vespertino cacarejo alegre; à noite, piado soturno.

Que seguia dual, sem nunca esmorecer.

Era assim o tributo do Homem-Quimera

Meio Galo Meio Coruja, ele era.

Diurno dócil, noctívaga fera.

Era dicotômico em qualquer esfera.

E ser dual, ser equilibrado, é aquele que vive de suas paixões, indo com as correntes que as levam.

Foi a sua natureza fluídica que conquistou os teus amigos; teu humor engraçado e ácido, tua explosão feliz e carente, teu abraço apertado e carinhoso, teu sorriso com lagrima.

É a coruja que pia triste à noite e o galo que canta contente na manhã.

Todo o bem é mal, todo o mal é bem, na natureza individual.

E mesmo que nada disso te defina, no fundo assim é vc, sou eu, e todos nós.

É seu ser agradável, que vive nos dois extremos, e no meio deles; que cativa teus amigos, desconhecidos e futuros pretendentes.

Feliz da quimera galo-coruja, que tem sua razão assim bem louca, em cima do coração humano que bate sem qualquer lógica. E feliz do homem que tem a razão louca da quimera, que pode ser contraditória, mas fazer todo sentido sobre a lucidez da vida.

27

de
janeiro

O ESTRANHO, UM CORAÇÃO

O coração é mesmo uma coisa estranha;

Por vezes, até deveras engraçada.

Por mais que o Doutor diga ser mais uma entranha,

Às vezes, quebra, parte, se esfarela até o nada.

Por dias e mais dias, sem eira e nem beira, a gente segue,

Andando oco e catatônico, meio a esmo.

Guiados pela tola crença que a alma univitelinea consegue

juntar

o tempo passa, sofrido e entorpecente, e eu seguindo,

sem me dar conta de que ele continuou batendo,

a esquerda de um peito que foi se abrindo,

ansioso por um novo toque, outro momento.

E amar é meu vicio, minha inspiração.

Mesmo tendo um amado apenas, uma paixão,

Que não deu certo, amornou, porém não em vão.

Mantive fiel somente a verve ansiosa e companheira,

maestra de poesia, escrita, retórica ou ilustração,

que com cor, forma, traço ou fricção

criou meu mundo, minha vida, essa canção.

10

de
janeiro

ANTE À BRISA FRIA

Abro a janela, na madrugada estrelada,
e a brisa tão gelada,
acaricia minhas faces.
Suspirando uma verdade mal-contada,
engana um coração perdido,
com seus falsos enlaces.

Me afaga, me acaricia
a mão gélida, a ilusão.
E meus cabelos despenteia,
dasarruma, joga ao chão.
Endurece a face de um ser são,
que a verdade sempre anseia.

- Ponha uma coberta sobre teus ombros,
e se aconchegue e se proteja!
A verdade não brota sobre os escombros
de alguém que só almeja!

Disse a mim, naquele instante
declamando à noite, fugaz enegrecida,
que respondeu, tão de repente,
a suplica da minha alma padecida.

- Não se renda nem desista!
Que a verdade não fenece,
por mais que sua mente ainda resista,
deixe ser eu aquela quem te aquece!

2

de
dezembro

versos e andorinhas

Concordo com neruda,
quando ele "poetiza" o gato.
Mas nem todo poeta quer ser mosca,
nem todo gato quer ser gato,
ou rato, ou andorinha.

Eu, um dia, sonhei que voava,
e percebi que asas já tinha.
estavam, estas, dentro da minha cabeça,
onde não há gato ou andorinha.

O que tem lá, na cabeça,
aqui fora não existe.

Nem eu sei tudo ao certo
e nem tudo descrevo muito bem .

Mas se me expresso incerto, é porque
só digo as palavras que me vêm.

E a minha única certeza, porém,
é que se escrevo estes versos
são todos pra você, meu bem.

26

de
novembro

SER LUIS

Quem explica as coisas que acontecem na nossa vida?
Quando eu, nas minhas antigas tardes ociosas tentava descobrir a minha origem, nas etimologias do nome Luis, eu achei que a nossa vida, de nós luisianos, tem que ter tragédia, farsa ou comédia!
Mas não é só isso …..Luis significa guerreiro ….e o que seria de um guerreiro sem a tragédia da luta? Mais importante que a luta, é a vitória, e que a vitória, é o sentimento de que todo o possivel foi feito!
É aquele sentimento de que cada molécula da nossa existência deu seu maximo, fez o melhor que pode e agora descansa satisfeita, seja andando, voando ou no chão!
E a tragédia, que anda de mãos dadas com a dor, vai de cavalinho com o aprendizado, sendo seguida de perto pelo alivio e o riso!
Essas nossas viscissitudes da vida, essas mesmas de mãos dadas, são tão filhas da realidade que, somente elas, nos proporcionam total noção de existencia do aqui e agora!
E tudo isso rende a história, o ensinamento ou o riso, porque só agente sabe rir mesmo, quando a tempestade passa!
Seja lá isso bom ou mal, te digo com certeza de que ser luis é ser feliz!

29

de
junho

O MAL DA POESIA

É viver eternamente afogado
em meio às lágrimas do próprio pranto;
seja de tristeza, alegria, espanto,
sofrer a chaga sacra sem ser santo.

É nadar contra corrente
no infinito delta das palavras,
essa metalingüística serpente,
que não peçonha, mas devoras.

E viver uma dor assim constante,
que seria deveras mais ardente,
senão fosse tão cortante
para este poeta que as sente.

E mesmo tendo a cama tão vazia,
os braços carentes de abraço,
só a solidão como um espinho

Sei que este mal é o da poesia,
o que eu sinto aleja o que eu faço,
e saber que ser poeta é estar sozinho.

9

de
junho

30 de maio

O novo abraço que te envolve
cura a ferida que atormenta
e o preludio do afeto, acalenta!
E a promessa fica em frente
de um gostar que, livremente,
ama e apaixona sem querer…
Oh! alma viva em chama
que por algo sempre clama
hoje cala sem saber!
E a promessa que acena
mesmo que ainda seja assim pequena,
mostra que o amor é grande,
transborda e corre violento,
e mesmo eu estando atento,
dá meu coração seu eu querer,
e mesmo batendo no peito aberto,
não quer nada além do que lhe é incerto,
seu afeto, como escambo.

28

de
fevereiro

Ainda me lembro quando te conhecí
vc viajava e eu esperava, por algo.
Nem sei dizer porque insistí
mas só sei quando te ví,
fiquei enamorado!
Ah, eu sou mesmo um retardado!
Devia ter imaginado…
Mas sou assim desde que nascí;

Lutando eternamente com o bom senso,
que sempre me diz que sou propenso
a gerundios como tí!

Que me força a escrever mais estes versos
sobre tuas palavras rudes, gestos incertos,
mas nada sobre àquele quem primeiro conhecí!

Mas é verdade que vc não foi um erro,
e que teu toque há muito eu ansiava
então imagine o quão foi meu desespero
quando percebi que agente não era o que esperava!

Há pouco foi nosso encontro
terminou como delírio
e da praça, resto o lírio
e de nós, nem um nem outro!

28

de
fevereiro

É engraçado que,
o que era assim tão quente,
amornou tão de repente

E esperava que fosse mais cortante,
essa dor que mora em minha mente,
e que inexiste!

Ah, mas como é triste
saber que o que sentiste
mora junto com minha dor

Pode ter sido assim mais um torpor
isso que suspeitei que fosse amor,
e que não passava de afeição!

Por mais intenso ou mais tesão
quero tentar com esses versos, mais uma expiação
Achar pra mim, o meu perdão,

Por ter sido assim tão tolo
e buscado teu consolo,
tua compreensão

E por ter este coração
que erra e erra,
mas que persiste em vão

E que jaz aqui,
em meu peito aberto
esperando incerto
de que tenho salvação!

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